Análise e reflexões sobre os filmes Casino e Goodfellas, de Martin Scorsese

Eu quero aqui trazer algumas reflexões minhas sobre esses dois filmaços do Scorsese: Goodfellas e Casino Na minha opinião esses são clássi...

Por que Jacaré do CV?

Faz muito tempo que não escrevo aqui. A única desculpa é que eu estava ficando mais inteligente (mais forte, mais bonito) para trazer um conteúdo melhor para nosso ☭ Blog. 

Eu tinha a intenção de abandonar o blog para postar minhas coisas no instagram, pois este tem MUITO mais alcance. E talvez seja esse o problema. Meus posts logo se tornassem um pouco conhecidos seriam reportados ou então banidos pelo próprio algoritmo. E mesmo que os posts permaneçam, leitores maliciosos podem usar algo que eu disse ali para prejudicar minha vida pessoal. Vou me arriscar a isso por 10 curtidas? Não. Vou escrever aqui. Sim, logo vou começar a fazer propaganda do blog.

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Um dos mitos fundadores do que significaria SER brasileiro é uma história real, realíssima. O encontro da imagem de Nossa Senhora durante uma pesca no Rio Paraíba do Sul para mim é um dos pontos fundamentais da história do povo brasileiro, o que o une. Aquela imagem, que logo se provara milagrosa, adentraria com força no imaginário coletivo brasileiro - não é à toa que tivemos que construir a MAIOR catedral do mundo para comportar o número de fiéis.

É muito óbvio que a imagem se tornou tão popular por um propósito, que para mim é a mensagem que Deus fez por ela ser carregada, uma mensagem simples: não há barro tão podre que não possa ser consertado por Deus. Pois é isso, uma imagem de barro, caindo aos pedaços e que foi constituída. E pensar que para nos mostrar isso Deus nos envia a própria mãe??? A mulher mais repleta de beleza e glória de todas???

Acho que em parte nós, povo brasileiro, somos esse barro mutilado, e o que vai nos unir é a busca pelo nosso conserto, a busca pela verdade, que é uma busca divina - esse será o assunto de nossas conversas, de nossos colóquios, de nossas discussões.

Porém você só pode ser remendado se primeiro você se reconhecer como barro...

Sim, viemos de uma cultura civilizacional que foi a sucessora de Roma, e eu me orgulho disso. Porém a influência mais marcante, mais epidérmica, é da cidade onde você cresceu e você não consegue fugir disso. Não, amigo, seu sobrenome não te faz italiano. Seu antepassado, um pinguço do mezzogiorno, cuspiria se ele te ouvisse falando que é italiano.

O Jacaré do CV é a única arte que eu consigo olhar e ver como 100% carioca, sem influência estrangeira, um reflexo puro de uma alma revoltada, criado por alguém que, com todas suas limitações, tentou capturar o sentimento daquele grupo. Nós temos algo assim autêntico no Rio de Janeiro? Talvez a burguesia e seus imitadores pobres tenham músicas acústicas e numa ignorância abençoada sejam capazes de celebrar a vida e sua mágica (sabemos que sem álcool, maconha, sexo ou bens de consumo não conseguem) e coisas que me fazem igual aquele vídeo do carioca revoltado (https://www.youtube.com/watch?v=hkR2LM612vU) "uma falácia criada por aquela bicha enrustida do Tom Jobim... que cantava...Ipanema é tão legal, meu pai é general". Será que sou só eu que vejo que a cultura popular que querem colocar como brasileira, carioca é uma que vem de cima para baixo?

Quando Deus criou o homem, Ele o fez a partir do barro. Alguns querem se consolar achando que foi das estrelas...

Biomímica - Imitar a natureza!!!

 Numa lenda indígena, Moema e Juçara eram melhores amigas. Se Juçara fosse nadar, Moema ia junto. Se Moema fosse rezar, Juçara ia com ela. E as duas eram assim com tudo. Numa festa da aldeia, as duas se apaixonaram pelo novo chefe, Peri, mas não diziam uma à outra o nome do rapaz. 

Até que numa tarde trocaram confidências e descobriram que as duas estavam apaixonadas pelo mesmo moço. Depois da surpresa, decidiram largar o ciúme e deixar que ele mesmo escolhesse entre as duas.

Notando as meninas, o pessoal da aldeia começou a desconfiar do que se passava; o xamã conversou com elas e depois procurou o chefe. Quando perguntou a Peri de qual das duas gostava, ele ficou surpreso.

- Acho que gosto das duas...

- E o que pretende fazer? - perguntou o Xamã.

- Vamos decidir isso na floresta. Minha escolhida será aquela que acertar em pleno voo um pássaro que eu apontar.

No dia seguinte, quando apareceu uma ave branca, Peri fez sinal para as moças lançarem a flecha, que saíram ao mesmo tempo de cada arco. O pássaro caiu, com uma flecha enterrada no peito.

As setas haviam sido marcadas, para ajudar na identificação. Quando a flecha foi retirada, surgiu a vencedora. Juçara e Peri se casaram, e Moema se sentiu desamparada: não tinha mais nem a amiga, nem o seu amor. Muito infeliz, afastou-se da aldeia para chorar. Tupã ficou com pena e procurou ajudá-la.

"Sinto saudade da minha amiga e do chefe, mas não quero que vejam minha tristeza. Se me transformasse num pássaro, eu poderia ver os dois sem que eles soubessem quem eu sou."

Tupã transformou-a num pássaro comum, que não chamava a atenção. Mas quando ela presenciou a felicidade do casal, ficou muito enciumada e decidiu se afastar da aldeia; voou para o norte e escolheu a floresta amazônica como morada. Para alegrá-la, Tupã deu-lhe um canto maravilhoso: "A partir de agora, você sera o uirapuru; a beleza do seu canto vai espantar a sua tristeza."

Quando Moema fica triste, começa a cantar e se sente revigorada. Homens e mulheres procuram ouvir o uirapuru, pois sabem que ele dá sorte. Seu canto é tão poderoso que a passarinhada da floresta se cala para ouvi-lo.

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Biomímica é a prática de observar atentamente à natureza e copiá-la. No início, eu queria traçar uma relação entre o canto do Uirapuru e a música de Mozart, como se o compositor tivesse copiado o pássaro. Mas a verdade é que os dois pegam inspiração do mesmo lugar. Na raiz tupi, uirapuru quer dizer "o pássaro que não é pássaro". E de fato, seu canto chega a uns píncaros que eu nunca escutei em pássaro algum. Tão melancólico, tão sublime. Talvez por isso que tenha me lembrado de Mozart.

Acontece que Biomímica não é nada disso. No caso do uirapuru (e do Mozart também), o pássaro copia algo que não está natureza, funcionando, na minha visão, como uma espécie de mensageiro de uma voz transcendente. Não há nada igual ao canto do uirapuru. E isso só prova como a natureza é perfeita.

Por motivos como esse que o ser humano deve praticar a biomímica, pois copiar da natureza é copiar da perfeição da obra de Deus. Posso citar inúmeros exemplos de pessoas que fizeram isso.

Um caso famoso é o trem-bala japonês, Shinkansen. Em 1989, o Japão contava com os melhores trem-bala em termos de inovação. O único problema: eles eram barulhentos demais.

Para resolver isso, chamaram o engenheiro e admirador da natureza Eiji Nakatsu. Nakatsu baseou o design do trem inteiramente em três animais: A coruja, cujas penas "dentadas" serviram de modelo para o equipamento que conecta o trem aos trilhos;  o pinguim-de-adélia e sua barriga lisinha inspiraram o eixo de suporte do trem (a parte de baixo, a "barriga" do trem mesmo); e, o mais impressionante, o Martim-Pescador, que é um pássaro que mergulha na água para pegar suas presas, isso sem fazer qualquer 'splash', graças ao formato único do seu bico. E assim foi criado o trem mais silencioso e veloz que o Japão teve até hoje.

Studying Owl Wings – Monkeysee Videos

Nature Picture Library Adelie Penguin (Pygoscelis adeliae) belly sliding on  ice Antarctic Sound , Antarctica - Andy Rouse

martim-pescador-verde (Chloroceryle amazona) | WikiAves - A Enciclopédia  das Aves do Brasil



O que me encanta na natureza é sua simplicidade, na forma e no conteúdo. A lua é um círculo; o sol também. Meus favoritos de desenhar quando criança. As árvores também são extremamente simples e objetivas. Eis o meu fruto: comei e espalhai. As ostras com suas pérolas, que são formadas, imagine só, de substâncias sujas indesejadas que penetram na ostra!

A natureza é um louvor a Deus, e ela me ensina que as melhores coisas são as mais simples. Quando se fala de biomímica, vejo as pessoas focando somente na parte mais material, como em inovações da engenharia, da ciência, da química, etc. Eu aqui resolvi falar do outro lado.

Como não citar as músicas de Heitor Villa-Lobos, profundamente inspiradas na mata amazônica e até mesmo uma dedicada especialmente ao nosso "Uirapuru". Eu gosto também de como a natureza ensina aquela coisa que os americanos chamam de "seize the moment", o "carpe diem", "aproveitem o dia". Eu gosto mais da palavra "seize", pois ela tem a ver com prender, agarrar. Nesse sentido, agarrar o momento e não deixar que ele passe, é fazer o melhor com ele. E o que sai quando nós aprendemos a fazer isso é magnífico. Eu mesmo agora estou aproveitando a inspiração que recebi para escrever esse texto. Não penso em escrever outra coisa; não quero; nesse momento, não pretendo cumprir outra coisa que não seja terminar esse texto bem. E assim nasce a Moonlight Sonata de Beethoven; a Eine kleine Nachtmusik de Mozart; a "Valsa do Minuto" de Chopin que imita a correria do seu cachorrinho; a melodia da Ave-maria foi pega de uma peça que essa dama se encontra a lamentar dramas mesquinhos à beira de uma lagoa. Na natureza é assim, tudo começa com uma sementinha tosca.

Lembro de uma entrevista do rapper Immortal Technique que ele conta sobre seu trabalho com crianças de bairros perigosos. Ele diz que quando chega lá as crianças só querem rimar sobre traficar drogas, atirar nas pessoas, pegar prostitutas, ostentar carros, etc. Ele não chega dizendo que isso é feio. O que ele faz é mostrar às crianças como elas podem rimar melhor sobre esses assuntos. Se querem rimar sobre prostitutas, ele tenta mostrar pra elas que aquela mulher é um ser humano. Como é a vida dela? O que fez com que ela chegasse nisso? O que lhe acontece quando ela chega em casa? Rimem sobre isso! E assim, de um tema que só teria alusões à putaria, aquilo é transformado em humanização.



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https://www.amazon.com/Antologia-folclore-brasileiro-Cascudo-Portuguese-ebook/dp/B015NB9L8M

https://www.vox.com/videos/2017/11/9/16628106/biomimicry-design-nature













 











Soberba burra: a semente do pensamento revolucionário.

Se têm algo que está constantemente nas minhas buscas, digamos, pretensiosamente filosóficas é entender a mente de sujeitos como a do governador de São Paulo, Dória. Ele e seus afins. E por seus afins eu digo pessoas que seguem essa linha de raciocínio que não sei ainda que nome dar. Essas pessoas são juízes, políticos, opinadores, pessoas que apoiam a ação do Estado. Racionalista, positivista, comunista, socialista, autoritária, totalitária?? Não sei, não importa, mas pra mim isso tudo é bem claro. Vou explicar melhor.

Eu busco incansavelmente entender as motivações por trás das ações das pessoas. E com o Sr. Dória essa motivação é particularmente mais forte, me ocupa muito o pensamento aliás, pois é para mim um mistério grande, quase que como ele e seus afins fossem alienígenas. Quais são suas motivações? Quais as justificativas?? É maldade? É ganância? É dinheiro? É burrice? Ou então tudo isso e mais um pouco?

Uma história do universo da Liga da Justiça me jogou uma luz sobre essa questão.

Hora da História 

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Nessa história, um grupo de "heróis" chega à terra dizendo que precisam de ajuda para resolver uns problemas na sua própria terra, a Terra-3. A Liga da Justiça vai ajudá-los, mas quando entram no portal são na verdade transportados para uma espécie de prisão e de lá não conseguem sair. Os novos "heróis", que na verdade são basicamente opostos dos heróis verdadeiros da Liga da Justiça - Homem coruja = Batman, Ultra-man = Superman, Super-mulher = Mulher-Maravilha, Johnny Quick = Flash - são na verdade um grupo chamada Sindicato do Crime. Na terra, eles dizem para todos que a Liga da Justiça foi resolver um problema numa galáxia distante e que já voltam, sendo eles, que se proclamaram o Sindicato da Justiça, os heróis agora responsáveis por cuidar da terra, na ausência da Liga da Justiça. Eles na verdade estão aqui na terra em busca de um artefato, do qual não vou tratar aqui.

A questão interessante para mim é que eles não sabem ser maus de verdade. Na verdade, suas motivações não tem nada a ver com justiça ou injustiça, ordem ou caos. Simplesmente querem esse artefato. Acontece que eles, tomando o lugar da Liga da Justiça, passam a ser o centro de diretrizes do mundo, os detentores do poder, os protetores do povo. Só um dado interessante: O Batman sempre se opôs à intervenção da Liga da Justiça em assuntos do mundo, principalmente com relação à política. Ele sempre buscou diminuir o poder da Liga, mantê-la na sua única e simples função, de combater super-vilões. O Sindicato da Justiça não se limita a isso. A primeira ação é tomar conta da mídia. O novo repórter, Clark Kentson (Ultra-man) toma isso pra si.

E assim vai indo. O que acontece é que os vilões notam que essa nova Liga da Justiça levaria toda a ordem existente à destruição e que provavelmente no futuro que eles planejavam não haveria espaço ou liberdade nem para a pequena infração de mijar escondido na rua. Essas pessoas do Sindicato da Justiça não eram vilões. O poder ,e a ameaça que vêm com ele, agora eram diferentes, e tornariam até mesmo a vilania impossível, deixando no lugar disso tudo um gigante vazio, num futuro totalitário controlado pelo nosso Ultra-man.

O vazio é pior que levar uma surra. Pior do que sofrer bullying na escola é ser ignorado por todos. Pior do que fazer uma merda e levar umas chineladas por ela, é ter seus pais dizendo que a culpa da merda foi deles e não sua. Só receber elogios vazios e jamais uma crítica. Isso que é realmente problemático: está além da ordem ou do caos, é outro plano, é o limbo. O Sr. Freeze reclama do Sindicato da Justiça: "eles interromperam meu monólogo do mal!"; o Charada: "Eles ignoraram a minha charada!"; O Coringa "Johnny Quick destruiu o banco que eu ia assaltar". Até o Lex Luthor se revolta com eles, ele que tem os mesmos planos de controlar a terra. O Sindicato da Justiça ignora os vilões, não os enfrenta e causam mais destruição, sem querer, que eles causariam com as piores das intenções.

Mas o Sindicato da Justiça vai muito além de simplesmente querer governar o povo como um monarca ou um ditador. Para governar a terra, eles vão castrar a capacidade intelectual dos cidadãos por meio da Netflix; tirar sua força oferecendo sex libre à todos. Num determinado momento, acontecem algumas complicações do Portal de viagem espacial do Sindicato da Justiça e eles transportam UM MOTHERFUCKING PLANETA que fica tapando o sol para a terra. Ultra-man vai à TV, alternando as personalidades entre Clark Kentson e Ultra-man, para dizer "Está tudo bem, ó cidadãos. Estamos avaliando esse pequeno objeto em frente à terra, mas já avaliamos que não apresenta nenhum risco. Sigam com suas vidas normalmente." 

Alguma coincidência?


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Agora, o assunto do qual eu queria realmente tratar. Qual é a motivação para que o Ultra-man seja assim?

Dando uma olhada na história de sua origem, achamos lá as sementinhas. Na sua Terra-3, Ultra-man teve uma origem bem parecida com a do Super-man, só que diferente. Ele também veio de um planeta alienígena e foi criado por uma família do campo. Ultra-man, assim como Super-man, não conseguia se enturmar, porque era muito esquisito. Suas habilidades o distanciavam das pessoas normais. Porém, enquanto Super-man perdeu seus pais e depois conhecera Lois Lane, Ultra-man não perdeus seus pais e jamais conheceu qualquer Lois Lane. Lois Lane ajudou Super-man a entender melhor seus poderes. Ela lhe disse como ele não deveria se sentir superior a ninguém, mas servir de modelo para as pessoas, servindo-as sem esperar nada em troca, para isso ele veio para terra. Do outro lado, os pais de Ultra-man o mimavam. Diziam-lhe que ele era muito especial sim e que as pessoas não o entendiam. Que elas deveriam aprender a ser como ele; para isso, era preciso lhes ensinar obediência. Super-man não obrigava ninguém a seguir seu modelo: se alguém for mudar, é preciso que seja por livre e espontânea vontade. Os pais de Ultra-man pensavam o oposto e assim o ensinaram. O menino cresceu acreditando ser a suprassuma autoridade moral.

 Alguma coincidência? 

E aí está a semente de qualquer pensamento revolucionário, tirano, que favorece a maior ação do Estado em nossas vidas. Na essência, o que diz é: "As pessoas não são capazes de reger suas próprias vidas em comunidade, por isso o Estado deve intervir e garantir a ordem". A educação tem que ser dada pelo Estado, a saúde, a segurança, as vacinas; o casamento deve ser regulado pelo estado, a lei; devemos ter constituições, estatutos, juízes; o estado deve proteger os órfãos, o pobre, o desajustado, o doente... e por aí vai. As pessoas devem ser governadas pela obediência, pois afinal não são capazes de tomar as melhores decisões por si mesmas - esse é o papel de seres superiores, como os presentes no Supremo Tribunal Federal. Esse é o exato oposto do que eu penso. Mas aí eu boto a questão: as pessoas fazem essas coisas por maldade? Digo com certeza que não. Talvez Dória tenha ganância, queira dinheiro e nem ligue para esse tipo de coisa; o mesmo com juízes e desembargadores. Mas a base do pensamento universitário e do próprio povo segue essa lógica. Não é a maldade o verdadeiro perigo. É a burrice que sempre é a verdadeira causadora da destruição no mundo. Com a propaganda certa e falta de testosterona nos homens, as pessoas vão achando que realmente não são capazes de se auto-reger.

Não foi o diabo que destruiu a igreja católica.

Não foi o diabo que inventou a feiura das igrejas atuais e nem dos prédios getulistas.

Foi para modernizar o Brasil que Juscelino Kubitschek destruiu 90% do nosso patrimônio histórico arquitetônico.

Foi pela igualdade que votamos no Lula.

Foram os ideais de liberdade que decapitaram Luís XVI na revolução francesa e criaram nosso congresso.

Foram boas intenções que fundaram a república brasileira.

Foi para a prosperidade de Portugal que os liberais venceram a revolução do Porto.

Foi para instaurar a paz que os EUA bombardearam o oriente médio.

É para não dizer palavras ofensivas que nos ignoram na escola.

É para nos proteger que nossos pais nos mimam.

O SUS foi criado para salvar vidas.

Os radares de trânsito foram criados para salvar vidas e não apressar mais ainda as pessoas que tiveram de perder um tempo inútil parando para sucatas metálicas que medem velocidade.

Médicos que começaram a recomendar que você parasse de comer tanto ovo e em vez da banha de porco usasse óleo de soja, INFELIZMENTE, o fizeram com boas intenções.

Pessoas te contam histórias de como pobres humildes venceram na vida sendo pobres e humildes e vítimas de alguém que não é pobre nem humilde para que você seja um ser humano melhor, mais pobre e mais humilde, e não um pobre humilde que venceu na vida sendo vitimizado por isso.

De boas intenções o inferno está cheio.





O melhor momento de Cícero

"Quosque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?"

Antes de tudo, quero admitir que não sei nada sobre política e sei pouco sobre Roma e Cícero, e o que eu escrevo aqui são só as impressões de um ignorante querendo registrar seus pensamentos. Apesar disso, acho que todos vão concordar comigo quando eu traduzir essa frase e mostrar para vocês que é a mais utilizada na política até hoje. Com isso eu quero mostrar como Roma antiga continua tão presente entre nós.

Essa pintura de Cesare Maccari, que deve ser bem famosa em aulas de latim, retórica e política, sempre mexeu comigo, desde a primeira vez eu a observei com atenção, mesmo que eu não soubesse nada de nenhum dos três. Nessa pintura, temos dois homens em destaque: um no seu melhor momento e o outro no seu pior momento. Esses homens são Cícero e Catilina. Cícero extasiado de orgulho proferia seu discurso denunciando a conspiração de Catilina contra o senado romano e Catilina escutava absolutamente desolado no seu canto sozinho. O processo levou Catilina ser condenado à morte junto com todos os outros conspiradores.

Cícero não parou de falar desse momento até o fim da vida. Vários pontos do seu discurso contra Catilina são estudados e repetidos copiosamente até hoje por políticos. O que me fez escrever esse artigo foi justamente a atenção que me chamou essa mesma frase que Cícero usou no processo ser usada na TV duas vezes nessa semana.

“Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência”

"Quosque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?"

“Até quando, ó trabalhadores, deixar-vos-ei serem explorados pelos tiranos de terno e jatos?” - Lula em algum momento antes de ser eleito.

“Até quando, ó Raça Humana, deixareis que suas matas e florestas sejam devastadas?” - Pessoa que está preocupada em proteger a floresta da Amazônia.

“Até quando, ó Cristãos, deixareis que abusem da vossa paciência?”

“Até quando, ó pais de família, deixareis que ensinem ideologia de gênero a vossos filhos?”

“Até quando, camaradas, suportareis o jugo malvado do capitalismo?” – Lenin.

É uma frase para incitar revolução!

Essa mesma frase é utilizada com os mesmos exatos propósitos de Cícero. Quando um comunista a diz está buscando antagonizar sua classe à do outro, à inimiga. Cícero precisava daquilo, e ele sabia que Roma também, de uma certa maneira.

Segundo o historiador Caio Suetônio, desde que Cartago foi apagada da existência em 146 a.C. não restara nenhuma oposição mais à altura de Roma. É aí que, segundo ele, teria começado a queda do império. Roma sem o desejo de vingança e a força do ódio que nutria contra Cartago e Aníbal, perdia sua fibra moral e o senado se tornava corrupto. O curioso é que Caio Suetônio, a quem pertencem essas palavras, foi tido como dos governadores mais lascivos e corruptos do Egito. O que me lembra como autores igual Dostoiévski e Tolstói, que viviam afundados em pecados sexuais, foram os que melhores trataram sobre esses pecados e a castidade. Ou então como, num livro que li de Immaculé Ilibagiza, a experiência de 6 meses trancada num armário só odiando os assassinos de sua família e seus ex-amigos e até seu namorada que a havia traído (não com outra mulher, mas tentando entregá-la aos rebeldes assassinos), ela no fim de tudo foi capaz de dar o maior perdão que eu já conheci, que foi perdoar ir até a cadeia e perdoar os assassinos de sua mãe, seu pai e seus dois irmãos, enfim, ela perdoou as pessoas que lhe tomaram tudo que ela tinha nesse mundo. O mesmo eu observo no caso de pastores evangélicos que são ex-criminosos e parecem para mim os mais sinceros nas suas pregações. Justamente porque foram o que mais experienciaram o pecado a fundo, e saíram do fundo do poço redimidos com coisa a ensinar, a velha história do herói que desce à caverna e retorna com o tesouro.

Enfim, acho que Caio Suetônio acertou nisso. De fato, o senado se tornou muito mais corrupto e Roma ficou exposta, quase pedindo para que algum ditador tomasse o poder todo para si, o que aconteceu. Isso tem a ver com outro assunto que ainda quero tratar, que é a importância de o homem não sair do seu estado natural, que é a guerra. O que digo é minha experiência e a disciplina que aplico na minha vida e que me sustenta todo dia. Não quero dizer que o homem tenha que se preparar para uma guerra física eventual. O estado de estar em constante antecipação da guerra anda bem perto da paz espiritual. Isso fará com que você viva cada dia como se fosse o último, como exorta o próprio apóstolo São Paulo.

O meu ponto com esse texto todo foi para dizer que quando o homem perde de vista a guerra, ele começa a buscar falsas glórias. Cícero viveu esse tempo de paz em Roma; nunca foi um general, e fora o único ano obrigatório de serviço militar que serviu sem ver ação, jamais estivera perto do campo de batalha novamente. A busca da glória era algo na sociedade romana como a busca pela felicidade é hoje na sociedade moderna. Quando essa glória deixa de existir para ele no campo de batalha, Cícero quer essa glória “salvando” Roma das mãos de Catilina. Ele pediu para diversos poetas que escrevessem uma epopéia épica de como ele havia livrado Roma das mãos do maléfico conspirador. No fim, como ninguém quis escrever, ele mesmo escreveu.

Para mim, todo ser humano tem um desejo grande por glória. É desse desejo que aplicativos como Tik Tok se aproveitam extensivamente para atrair as pessoas. É a perversão de um sentimento puro de querer deixar um legado e de ser reconhecido. A atenção instantânea, os aplausos intermináveis, os joinhas, os elogios... Já pararam para pensar por quê tantas pessoas fazem vídeo para esses aplicativos? Será que é só por diversão ou para compartilhar seus momentos?

Não quero ser chato. Apesar de eu não usar o Tik Tok, eu uso o instagram. E não vejo problema intrínseco em nenhum deles, tudo depende da intenção da pessoa que está usando e não sou eu para julgar isso. Só que eu acho o Tik Tok particularmente pernicioso ao obrigar vídeos a serem tão curtos. Como se eu não fosse capaz de prestar atenção em algo por mais de 6 segundos. Ou então o comediante ali não consegue me manter rindo por mais do que isso...

Cícero sempre quis ser relembrado como herói do senado Romano. Não foi lembrado assim, mas hoje é muito mais famoso do que jamais imaginaria. E o nosso Tik Toker dancinha – como ele quer ser lembrado?