Análise e reflexões sobre os filmes Casino e Goodfellas, de Martin Scorsese

Eu quero aqui trazer algumas reflexões minhas sobre esses dois filmaços do Scorsese: Goodfellas e Casino Na minha opinião esses são clássi...

Desabafo

Melancolia

Não adianta tentar fugir desse sentimento. Parece que quanto mais o repelimos, com mais força ele volta. Tentar esquecê-lo é fazê-lo crescer até se tornar tão pesado que não se consegue mais levantar da cama.

Eu sempre o carreguei comigo, querendo ou não, sabendo ou não. É ficar feliz e já pensar o tempo todo que essa felicidade vai acabar. É ganhar algo bom e saber que aquilo será corroído pelo tempo. É amar e saber que um dia esse amor pode muito bem se transformar em ressentimento.

A consciência de tudo que nos cerca ao mesmo tempo que é uma dádiva para humanidade é também sua própria maldição, sua depressão profunda, sua eterna fonte de insatisfação.

Sim, não é segredo que nunca estamos satisfeitos. Mas, na pessoa melancólica essa parte que falta em todos nós está sempre presente na forma de um luto. Luto pelo que não se sabe direito o que é, ou o que se perdeu. 

Eu entendo que preciso pensar e que a vida é sempre charada a se resolver. Por que não posso simplesmente aproveitá-la?

Eu tenho uma ansiedade sempre presente. Ela escapa no meu bom humor e nas gargalhadas quando estou com meus amigos. Eu valorizo cada minuto com eles e com essa menina por quem tenho um amor platônico. Essa insatisfação maior que mim mesmo é o que faz certos momentos brilharem mais que ouro - mas a que custo? Essas memórias que tenho com os amigos ou no quarto da amante são cristalizadas pelo sentimento que tenho ao saber que tudo acaba um dia, mas espero que acabe como uma linda estrela-cadente ou como um explosão super-nova. Afinal de contas, todo o amor do mundo só existe e existirá dentro de nós. 

Essa tristeza que tenho não é só um sentimento. É um contexto, é uma casa, é um cômodo, é um quarto, é uma pessoa... Eu não sei mais ao que recorrer para tentar silenciá-la. Eu tento tudo que posso e parece que é sempre a mesmo resultado - "it all returns to nothing". Talvez apenas a morte a silencie, uma vez que a tristeza sou eu mesmo. Aprender a conviver com ela é essencial, aceitar que ela sempre estará ali, que ela sou eu, mas que não será impedimento para eu viver e quiçá até ser feliz, como sou e já fui muitas vezes. 

No fim das contas talvez seja essa maldição que sempre me impulsionou a melhorar, a estudar, a me dedicar mais e a pensar profundamente. Os humanos não mudam pelo bem, só através do sofrimento. Como explicou Freud, chega em dado momento que aquela dor se torna tão insuportável que mudar se torna a única opção.


"In the end, your demise was peaceful." Fear & Hunger


Texto por Lucas Matos, futuro médico.